Hipertensão, diabetes e tabaco. Cientistas identificam três fatores a controlar para atrasar a demência

Hipertensão, diabetes e tabaco. Cientistas identificam três fatores a controlar para atrasar a demência

Investigadores do centro norte-americano NYU Langone Health analisaram 12.409 pessoas com idade média de 56 anos e sem sinais de demência. Foram levados em conta três fatores de risco: a hipertensão, a diabetes tipo 2 e o tabagismo.

Carlos Santos Neves - RTP / Adicionar como fonte informativa
Em Portugal, estima-se que haja pelo menos 182.526 pessoas com demência | Nuno Patrício - RTP

Um estudo desenvolvido nos Estados Unidos e publicado esta semana pela revista Neurology designa três fatores de risco para a saúde cardiovascular, em pessoas entre os 45 e os 65 anos, associados à demência. O aparecimento desta condição, sugerem os investigadores, poderá ser adiado em pelo menos 13 anos se houver controlo da pressão arterial, se for evitada a diabetes tipo 2 e se o tabaco for deixado de lado.

Os cientistas do NYU Langone Health debruçaram-se sobre o estudo Atherosclerosis Risk in Communities (Aric), que teve início em 1986 e continua a seguir norte-americanos até à fase final da vida, em particular sobre os respetivos fatores de risco vascular na meia-idade e o declínio cognitivo.

Na investigação agora publicada, os 12.409 participantes foram avaliados durante um período médio de 26 anos - 3.008 desenvolveram demência e 5.238 morreram sem chegar a apresentar a condição.Os participantes sem nenhum dos fatores de risco em análise – hipertensão, diabetes tipo 2 e tabagismo - viveram sem demência por mais 13 anos do que aqueles que apresentavam os três.

A investigação permitiu mesmo perceber que as pessoas sem diabetes e hipertensão e que não fumavam no início do estudo viveram sem demência, em média, mais 30,1 anos. Já as pessoas com um fator de risco tiveram um acréscimo de 26,3 anos e aquelas com dois fatores somaram 21 anos. Com três fatores, o acréscimo foi de pouco mais de 17 anos.

“As nossas descobertas indicam que as pessoas precisam de evitar ativamente estes fatores na meia-idade como estratégia para preservar a saúde cerebral por mais de uma década”, afirmou o investigador Josef Coresh, diretor do Optimal Aging Institute do NYU Langone, citado na edição online do jornal britânico The Guardian.

“Esperamos que estes resultados incentivem as pessoas a parar de fumar e a seguir atentamente a sua saúde vascular a partir dos 45 anos”, reforçou.Ainda de acordo com os resultados do estudo, as mulheres vivem mais tempo do que os homens sem sinais de demência, independentemente dos fatores de risco detetados.

A investigação norte-americana conclui, em suma, que os três fatores de risco identificados “surgem frequentemente na meia-idade”, produzindo “efeitos duradouros na patologia neurodegenerativa”. Pelo que o diagnóstico e o controlo precoces se revelam decisivos.
Mundo, Europa e Portugal

Em Portugal, estima-se que haja pelo menos 182.526 pessoas diagnosticadas com demência, segundo dados da Associação Alzheimer Portugal. Contudo, alguns cálculos apontam para até 240 mil casos.

Num artigo publicado no início deste ano pela Acta Médica Portuguesa – revista científica da Ordem dos Médicos – pode ler-se que “as mais recentes estimativas sugerem que, em 2019, esta condição afetava cerca de 57 milhões de pessoas à escala mundial e que este número deverá atingir perto de 153 milhões em 2050”.

“A demência afetava, no mesmo ano, cerca de sete por cento das pessoas com idade entre 70 e 84 anos e perto de 23 por cento das pessoas com 85 ou mais anos. Na Europa, em 2018, estimou-se uma taxa de prevalência de 1,3 por cento das pessoas entre 65 e 69 anos, 3,3 por cento entre 75 e 79 anos e 12,1 por cento e 21,9 por cento nos grupos 80 - 84 e 85 - 89 anos, respetivamente”, indica o mesmo trabalho, que incidiu sobre a “Prevalência de Demência e Declínio Cognitivo nas Estruturas Residenciais para Pessoas Idosas Portuguesas”.

“De acordo com os dados de 2024, Portugal é o segundo país mais envelhecido da União Europeia, com um índice de envelhecimento de 185,3, apenas antecedido pela Itália (190,3). Tem vindo a destacar-se como um dos países europeus com maior prevalência da demência. As projeções mais recentes apontam para, no mínimo, uma duplicação da prevalência entre 2020 e 2080”, sublinha o artigo.
Tópicos
PUB